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Existem regras de etiqueta no culto a Deus? (parte 2)

Atualizado: 20 de ago. de 2024

No texto anterior nós conversamos sobre a postura correta que devemos adotar ao entender o que é um culto e, principalmente, para quem é o culto. Se você ainda não leu esse texto, eu sugiro que visite primeiro essa parte, clicando aqui.

Hoje nós daremos continuidade sobre as regras de etiqueta pensando principalmente na relação entre os irmãos da igreja que cultuam juntos, dando exemplos práticos em cada tópico abordado, dentro de princípios bíblicos. Você vai notar que é um texto mais pesado que o anterior, mas tente ler com o coração aberto.

 

1) O mal das conversas paralelas durante o culto

Em Marcos 9.42 Jesus diz que: “Se alguém fizer tropeçar um destes pequeninos que creem em mim, seria melhor que fosse lançado no mar com uma grande pedra amarrada no pescoço”. Esse versículo ensina a não induzir o outro a pecar. Pecar sozinho já é ruim, mas fazer com que outra pessoa erre contra Deus por sua causa é ainda mais grave.

Se o culto é para falarmos com Deus e deixar que Ele fale conosco, quando ficamos de conversa paralela com quem está ao nosso redor, nós deixamos de cultuar e, pior: impedimos a outra pessoa de cultuar também. É extremamente comum acontecerem momentos em que as conversas paralelas são tantas e tão altas que dá para ouvir do púlpito. Nesses casos, quem está na direção acaba tendo que chamar a atenção da igreja. Se do púlpito dá para ouvir, imagine o como deve estar sendo difícil, para quem está sentado próximo, se concentrar em meio a toda essa conversa.

Nem sempre percebemos o quanto isso é grave, mas eu nunca vou me esquecer do dia em que levei um visitante não crente ao nosso culto e, ao final, ele compartilhou comigo que havia gostado muito da igreja, que as pessoas eram bem simpáticas e acolhedoras, mas que ele não conseguiu prestar muita atenção no que foi falado da bíblia porque as pessoas conversavam demais. Ou seja, alguém deixou de ouvir a palavra de Deus porque foi impedido por outros crentes. Chega a ser paradoxal!

Ao contar a parábola do semeador, Jesus disse que a figura das aves do céu que comem as sementes caídas no solo representa o maligno. Ele luta para impedir que a palavra encontre lugar no solo do nosso coração. E quando nós, com nossas atitudes, impedimos que a semente do evangelho seja plantada no coração de alguém, mesmo que sem intenção, estamos agindo dentro da agenda do maligno e cooperando com seus propósitos.

De forma geral, as conversas paralelas durante o culto geram cinco grandes problemas:

I. É falta de reverência a Deus, pois o culto é para Ele e a casa onde o culto ocorre pertencem a Ele.

II. É desrespeitoso com as pessoas que estão na condução do culto, pois se prepararam para realizar o que estão fazendo e a igreja está recebendo com desdém.

III. Você sai no prejuízo, pois perde o que Deus quer falar contigo para trocar, com outra pessoa, palavras que não são de vida eterna e não tem poder para mudar sua vida.

IV. Impede seu irmão em Cristo de render culto ao Senhor e receber Dele uma palavra.

V. É grave falta de testemunho para os visitantes não crentes, que sempre reparam no comportamento da igreja que visitam e falam disso a outros colegas.

 

2) As conversas feitas com boas intenções

Existem pessoas que conversam durante o culto com motivos que parecem louváveis, mas nenhuma delas se justifica. Tem gente que, ao chegar no templo, percebe que alguém está com o semblante abatido e começa a conversar com essa pessoa. Nesse intervalo, o culto começa e ambos continuam lá falando de seus problemas, ouvindo-se mutuamente, e dando palavras de motivação. Minha sugestão é: converse com a pessoa ao final do culto, ligue para ela ou a visite (se possível).

Algumas pessoas ficam comentando as letras das músicas, trechos da bíblia que foram lidos ou falas das mensagens com quem está ao lado. Por mais que o assunto da conversa seja relacionado ao culto e seja edificante, está errado do mesmo jeito e cai nos mesmos cinco problemas listados acima. Paulo, em Efésios 4.11 vai dizer que Deus designou alguns para pastores e outros para profetas, evangelistas, e outros para mestres. Deus não chamou absolutamente ninguém para ser comentarista de culto! Isso mais atrapalha do que edifica! Sugestão: anote as partes que te chamaram a atenção e converse pelo WhatsApp com alguém sobre isso. Você pode levar esses temas para serem conversados nos grupos de Comunhão+. Nesse último caso, você ainda pode usar a rede social dos grupos no site da igreja, criando um post e trocando ideias sobre esses assuntos. A rede social do nosso site ainda está bastante subutilizada e ela tem esse potencial.

Se você chegou atrasado e o culto já começou, seja discreto. Entre em silêncio. Se avistou alguém de quem tem muita saudade e não vê há muito tempo, deixe para cumprimentar a pessoa no momento de comunhão ou ao final do culto. Ver duas pessoas conversando e se abraçando de pé em um momento aleatório do culto em que todos estão quietos e sentados chega a ser constrangedor e, infelizmente, não é raro!

Existem casos nos quais o carro de alguém está fechando uma passagem, você precisa chamar o responsável de uma criança está passando mal dentro da sala do culto kids ou qualquer outra situação emergencial. Nesses casos, você pode escrever o recado em um pedaço de papel e entregar à pessoa que está sentada, ou fazendo um gesto discreto chamando-a para o lado de fora, onde vai poder explicar o que aconteceu sem atrapalhar o culto. Caso for algo para toda a igreja, você pode entregar esse bilhete ao dirigente ou pregador, que falará no microfone, no momento adequado e se julgar necessário. Reaproveitando o exemplo do carro estacionado em local impróprio: se não souber quem é o dono, você pode passar o bilhete para o multimídia que projetará nas televisões o aviso da forma mais discreta possível.

Por fim, tem o caso das organizações que precisam muitas vezes levantar fundos para suas atividades ou até mesmo para campanhas missionárias. Ainda assim, é totalmente inadequado passar carnês, papel de sorteios e folhetos de divulgação durante o culto. Fale sobre isso nos corredores e nos portões antes do culto começar e após ele terminar. Além disso, se for uma divulgação que precisa ser feita para toda a igreja, você pode passar com antecedência ao pastor para que ele divulgue no momento de avisos.

 

3) Crianças sendo crianças

Conversamos sobre adultos até aqui, mas existe o dilema do comportamento das crianças. Elas correm, às vezes rastejam entre os bancos, arremessam objetos, conversam, riem alto, brigam, ou têm vários outros comportamentos desse tipo. Por mais que isso seja natural de crianças, se é algo que impede as pessoas de se concentrarem na palavra de Deus, precisa ser ajustado.

As crianças não conseguem perceber que estão atrapalhando e, quando conseguem, não vão se importar com isso mais do que com o seu próprio lazer. Além disso, já é bem conhecido que crianças naturalmente testam a capacidade dos seus pais de os disciplinarem. Eles sempre querem saber até onde podem ir sem castigo. Cabe aos seus responsáveis ensiná-las a se adequar aos limites (não só na igreja, como na escola ou em qualquer outro lugar).

Muitos pais têm medo de repreender o comportamento dos seus filhos por achar que isso pode gerar algum tipo de trauma em relação à igreja e que os leve a se afastar do evangelho na adolescência ou juventude. Esse pensamento está bastante equivocado por três razões: I. Deixar seu filho fazer o que quiser durante o culto não dá nenhuma garantia de que ele permanecerá nos caminhos do Senhor; II. Existem vários adultos que estão na igreja desde a infância e nunca se afastaram apesar de terem sido muito cobrados em relação ao seu comportamento, desde pequenos; III. Entre os jovens e adolescentes que se afastam e são indagados do motivo, dificilmente você verá alguém mencionar algo sobre frustração por ter que se comportar no templo na infância.

Bebês não conseguem dizer o que estão sentido e usam o choro para relatar seu desconforto com alguma coisa. Se não conseguir resolver o problema em até 30 segundos e a criança continuar gritando, leve-a para o lado de fora, tente descobrir a causa, resolva o que for possível, a acalme e, só depois, retorne com ela ao templo.

Por fim, existe o caso das crianças com necessidades especiais como autismo (dos mais diversos graus), TDAH, TOD, Síndrome de Down, entre outras. Nesses casos, somente um acompanhamento especializado com um profissional capacitado vai poder orientar sobre como conduzir a criança na ambientação dentro da igreja, da escola e nos outros espaços que ela vai precisar frequentar.

Algumas igrejas têm o privilégio de contarem com profissionais dessa área como membros. Conheço uma igreja, por exemplo, que tem um ministério só para pessoas com necessidades especiais. Eles tem uma classe de EBD em separado, na qual a lição é ministrada com intérprete para os surdos, presença de mediadores para crianças com autismo, e com o auxílio de outros profissionais, mediante a necessidade. Nessa igreja eu cheguei a presenciar a tomada de profissão de fé de uma mulher adulta com deficiência intelectual grave (vulgarmente chamada de “retardo”). Ela não conseguia falar e entendia muito pouco das coisas. Fizeram a pergunta de quem era o salvador da vida dela e apresentavam uns cinco desenhos. Ela então apontava para o que representava Jesus. Na sequência, perguntavam o que Jesus fez para salvá-la dos pecados. Novamente, entre cinco desenhos, ela apontava para o que tinha a representação de uma cruz.

Isso existe, é possível, mas ainda não é a nossa realidade na IBPS. É algo pelo qual devemos orar.

 

4) Excessos na adoração

Quando Paulo escreve sua carta à igreja de Corinto, no capítulo 14, ele fala sobre a desordem durante o culto naquela igreja. No texto ele é muito claro sobre a necessidade de falar um de cada vez, no máximo 3 pessoas (entende-se que no sentido de pregação/testemunho ou ministrações em geral), que a fala precisa ser algo compreensível e que devemos julgar tudo o que está sendo falado (à luz da palavra de Deus).

O apóstolo ainda chama atenção da igreja sobre a possibilidade de estar acontecendo excessos durante o culto e, justamente nesse dia, uma pessoa não crente estar visitando o culto. Segundo ele, esse visitante pode achar que as pessoas da igreja são loucas, ou seja, uma falta de testemunho totalmente desnecessária.

O texto vai finalizar dizendo que o culto precisa ser decente e com ordem. E, diante disso, gostaria de finalizar com algumas sugestões práticas nesse sentido. No seu quarto, à sós com Deus, você tem a liberdade de ser bastante espontâneo e adorar sem avaliações de terceiros. No culto público, porém, não vale tudo.

Deus é todo-poderoso. Ele não precisa, por exemplo, que você grite para que Ele consiga te escutar; nem vai atender mais rápido por conta disso. Se a igreja estiver em um momento em que cada um vai orar individualmente ou em duplas, não faça, dos bancos, uma oração em voz tão alta que atrapalhe os outros irmãos de se concentrarem em suas próprias orações. O texto diz que o falar em línguas exige uma outra pessoa que interprete o que foi dito. Todas as vezes em que alguém falou em línguas e ficou por isso mesmo, foi ação humana e não de Deus. Afinal, o Espírito Santo jamais te conduzirá a fazer algo no culto que desobedeça a própria palavra Dele. O mesmo princípio vale para tudo que fazemos no culto.

Sobre as manifestações extravagantes de adoração, existe uma ideia de que quanto mais ousada e exagerada, mais espiritual a pessoa é. Se assim fosse, por que não vemos esse comportamento em Jesus, nos discípulos ou grandes lideranças da igreja neotestamentária?

Além disso, a igreja evangélica brasileira é extremamente diversa. Num exemplo hipotético: se uma pessoa acha que é aceitável ficar rodando durante o momento de louvor, certamente encontrará um lugar onde isso é bem-visto ou pelo menos tolerado. O que não pode (é extremamente de mau tom e até desrespeitoso) é se filiar a uma igreja cujas doutrinas e costumes não são compatíveis com o perfil dessa pessoa e tentar, na marra, mudar a tudo e a todos.


Conclusão

De forma geral, podemos pensar da seguinte forma: se enalteceu a Deus, é válido. Se está chamando a atenção de todos para o adorador, não pode. Se ajuda a manter um sentimento de união entre irmãos, é bíblico. Se está causando incômodo, afastando pessoas e criando divisões na igreja, precisa acabar. O culto é para Deus, mas prestado por várias pessoas de personalidades e origens totalmente diferentes. Respeitar essas diferenças é ter zelo pelo corpo de Cristo. O tema é longo e não daria para esgotar nesse post. Deixe nos comentários a sua opinião ou sugestão de algum tópico que ficou de fora da lista.


Escrito por Derick Mendes

 
 
 

2 comentários


Carla Mota
Carla Mota
20 de ago. de 2024

Realmente, como o escritor disse no início do texto: É um texto bem pesado.

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Simone e José Leite
Simone e José Leite
20 de ago. de 2024

Eu e meu esposo concordamos com tudo na hora da mensagem é um entra e sai uma falta de respeito com Deus.

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